Se fosse para responder o que fazer em Pucón de forma resumida, eu diria: conhecer alguns lugares que parecem ter saído de uma narração de meditação guiada. Ou que poderiam ser a casa de uma fada. Sabe aquele visual meio onírico, de filme de fantasia? A cidade e seus arredores estão recheados deles.
Cheguei lá de carro, em uma viagem saindo de Santiago, cujo objetivo era ir conhecendo os caminhos do centro-sul do Chile e da Região dos Lagos. A cidade funciona super bem tanto para esse intuito quanto para quem busca um destino único, para se estabelecer e relaxar.
Cercada por montanhas, lagos, florestas e pelo imponente Vulcão Villarrica, o que não falta são paisagens exuberantes e estrutura turística excelente. Neste artigo, você conhece as principais atrações de Pucón e algumas dicas práticas para que possa ver toda essa beleza com seus próprios olhos:
Onde fica Pucón?

Pucón está localizada na Região de La Araucanía, centro-sul do Chile, às margens do Lago Villarrica e aos pés do vulcão de mesmo nome.
A cidade fica a aproximadamente 785 km da capital Santiago, sendo uma das principais portas de entrada para o sul do país. Além da natureza exuberante, Pucón é conhecida por reunir atividades de aventura, praias de água doce, parques nacionais, termas e ótima gastronomia.
Também é uma boa base para explorar outras cidades da região, como Villarrica, Coñaripe e Panguipulli.
Como chegar a Pucón
Ainda que você faça de Pucón a protagonista absoluta de sua viagem, a melhor maneira de chegar até ela passará, de uma forma ou de outra, por Santiago:
De avião saindo do Brasil
Não há voos diretos do Brasil para Pucón.
O caminho mais comum é voar até Santiago e, de lá, seguir para o aeroporto de Temuco (La Araucanía International Airport). Esse trecho interno dura cerca de 1h20 a 1h30, com voos diários operados principalmente pela LATAM e Sky.
Do aeroporto de Temuco até Pucón são mais uns 100 a 118 km, cerca de 1h a 1h30 de carro, que você pode fazer de táxi, transfer, ônibus ou carro alugado.
Existe também a alternativa de voar até Valdivia (aeroporto Pichoy), que fica um pouco mais distante de Pucón, mas costuma valer a pena se for seguir viagem por aquela região depois.
Vale reservar as passagens com antecedência, principalmente se for viajar em alta temporada, já que os preços sobem bastante e a demanda é grande nesse período.
De carro saindo de Santiago
A rota mais comum é pegar a Ruta 5 Sur (a Panamericana) até a altura de Freire, e depois seguir pela Ruta S-199 em direção a Villarrica e Pucón. A distância total gira em torno de 780 a 810 km, com um tempo de viagem de 8 a 9 horas e meia.
No caminho há pedágios (uns sete ou oito ao todo, contando a Autopista Central dentro de Santiago), e o gasto com combustível e pedágios costuma somar algo entre 90 mil e 106 mil pesos chilenos, dependendo do carro.
Foi exatamente esse trajeto que eu fiz, só que devagar, parando em várias cidades pelo caminho — o que, aliás, é a grande vantagem de ir de carro. Dá para conhecer lugares como Chillán, Los Ángeles e Salto del Laja antes de chegar. Se você tem tempo, recomendo demais fazer assim.
Uma dica prática: leve dinheiro em efetivo (pesos chilenos) para os pedágios e abasteça o carro na saída de Santiago, onde o combustível costuma ser mais barato do que em postos de estrada.
De ônibus saindo de Santiago
Se você não vai alugar carro, o ônibus é a opção mais econômica.
A viagem dura entre 10 e 11 horas e é operada por empresas como Turbus, Pullman Bus, Buses JAC, Jet Sur e TranSantin, que saem dos terminais Alameda, Sur ou San Borja.
Os preços variam bastante conforme a categoria do assento: um semi-cama sai por cerca de 15 a 20 mil pesos chilenos, enquanto um salón cama (mais reclinável, ideal para dormir durante a noite) pode passar dos 50 mil pesos.
Como o trajeto é longo, uma boa estratégia é pegar um ônibus noturno — você embarca à noite em Santiago e desembarca em Pucón na manhã seguinte, economizando uma diária de hospedagem.
Como é Pucón no verão?

O verão é considerado a alta temporada em Pucón, especialmente entre dezembro e fevereiro.
As temperaturas costumam variar entre 12 °C e 26 °C, com dias longos (bem longos mesmo, começando a escurecer lá pelas 21:30) e pouca chuva.
Justamente por ser o período mais procurado, espere encontrar a cidade movimentada, principalmente em fevereiro, época mais forte de férias no Chile.
Restaurantes, cafés e o centrinho podem ficar cheios no período da noite, enquanto algumas atrações podem registrar filas durante o dia. Ainda assim, nada absurdo, o movimento não compromete a experiência.
Eu visitei Pucón em janeiro e achei bem confortável, o clima estava uma delícia e os passeios de natureza, muito tranquilos.
Quantos dias ficar em Pucón?
Se o objetivo for conhecer apenas as principais atrações, três dias costumam ser suficientes.
No entanto, para aproveitar as termas, fazer trilhas, visitar Panguipulli (recomendo demais) e explorar tudo com mais calma, eu indicaria reservar entre quatro e cinco dias.
O que fazer em Pucón no verão

Planejamento feito, agora vamos para a melhor parte. Conhecer todas as opções sobre o que fazer em Pucón no verão para criar um roteiro redondinho, de acordo com suas preferências.
Entre as alternativas, sobram atrações naturais, outdoor, sejam elas com foco na aventura, sejam elas voltadas para a contemplação.
Passeio aos pés do Vulcão Villarrica (Camino al Volcán)

Mesmo que você não pretenda subir até a cratera, vale muito a pena fazer o trajeto que leva até as faldas do vulcão.
O chamado Camino Internacional segue em direção ao Centro de Ski Villarrica-Pucón e vai revelando o vulcão cada vez mais de perto, com miradouros ao longo do trajeto.
Dentro do Parque Nacional Villarrica há trilhas mais leves, como o Sendero Los Cráteres, um circuito de cerca de 7 km com desnível moderado, ideal para quem quer se aproximar do vulcão sem o compromisso físico de uma escalada até o topo.
Também dá para visitar as cuevas volcánicas (cavernas formadas por antigos fluxos de lava), um passeio guiado curto e uma boa opção para dias de tempo instável.
Subida ao vulcão Villarrica

Essa é, sem dúvida, a atividade mais procurada por quem visita Pucón (e também a mais exigente fisicamente).
A subida começa cedo, com um traslado até a base do vulcão. De lá, um teleférico leva os visitantes até cerca de 2.000 metros de altitude. A partir desse ponto começa a caminhada até a cratera, a 2.847 metros.
A trilha é de dificuldade média a alta e dura entre 4 e 5 horas de subida, com direito a crampons e piolet (fornecidos pela agência) para o trecho final sobre neve e gelo. Lá em cima, é possível ver o interior do cráter e, com sorte, a atividade vulcânica por baixo da fumaça.
O passeio só é permitido com guias autorizados, e sempre depende das condições climáticas: vento forte, neblina ou chuva cancelam a subida sem aviso prévio.
Por isso, se esse for um item essencial do seu roteiro, o ideal é reservar logo nos primeiros dias da viagem (ou antes da viagem) , deixando margem para tentar de novo caso seja cancelado.
Ojos de Caburgua

Um dos passeios mais fotografados da região: pequenas quedas d’água de tom azul-turquesa, formadas por nascentes que vêm do Lago Caburgua, cercadas de bosque nativo. Fica a cerca de 18 km de Pucón.
O passeio é lindo, mas aqui vai uma dica importante para que você não cometa o mesmo erro que eu: existem duas entradas diferentes para os Ojos, administradas por concessionárias distintas.
Entre os pontos que mudam de uma visitação para outra está o ângulo da vista, uma delas (a que fui) proporciona um passeio mais curto e com visão apenas de cima.
A maioria dos chilenos prefere a outra entrada, acessada perto de um ponto de ônibus que possui uma estátua de Cristo (lembre-se desse ponto de referência).
Se o GPS te mandar para o outro acesso, como fez comigo, você já sabe.
Termas Geométricas

Se Pucón tem um cartão-postal além do vulcão, é este: 20 piscinas termais conectadas por passarelas de madeira tingidas de vermelho, encravadas numa quebrada de vegetação nativa.
A água vem de mais de 60 fontes naturais que brotam a 80°C e são resfriadas até temperaturas entre 35°C e 45°C, variando de piscina para piscina.
Fica a cerca de 83 km de Pucón, na zona de Coñaripe, e o trajeto de carro leva por volta de 1h30. A entrada gira em torno de 40 a 55 mil pesos chilenos por adulto, dependendo do horário escolhido (os horários de meio-dia costumam ser os mais caros).
Termas de Coñaripe
Um complexo mais estruturado, com hotel, restaurante e cerca de 6 a 9 piscinas termais às margens do Lago Pellaifa. Fica a cerca de 80km de Pucón, passando pelo tradicional balneário de Lican Ray.
Além das piscinas ao ar livre, o local tem piscinas de barro termal, o que é sempre uma experiência diferente para quem nunca provou.
É uma boa opção para quem quer unir o banho termal a uma estrutura mais completa — spa, restaurante e até pernoite, caso queira fazer dessa parada um destino em si.
Termas El Rincón
Localizadas a cerca de 33 km de Pucón, essas termas apostam em um conceito mais sofisticado, com serviços de spa como chocolaterapia e reflexologia, além da proximidade com o Rio Liucura, onde dá para fazer caminhadas e passeios a cavalo.
Vale um alerta: por ser um complexo muito procurado, em alta temporada a piscina principal hidroterapêutica pode ficar bem cheia, dificultando aquele momento de relaxamento total.
Se esse for seu foco, prefira ir bem cedo ou já perto do fim da tarde.
Playa Grande
A praia principal de Pucón, com areia escura e grossa — resultado das cinzas vulcânicas da região — e cerca de 4 km de extensão ao longo da costanera da cidade.
É onde se concentra o maior movimento no verão: tem aluguel de caiaque, stand up paddle, guarda-sóis e vendedores.
Fica bem perto do centro, o que é ótimo para quem está hospedado ali e quer só atravessar a rua para curtir o lago. Como é a praia mais popular, também é a mais cheia. Se deseja mais sossego, vale considerar a Playa Chica.
Playa Chica

Menor e mais reservada que a Playa Grande, oferece um ambiente mais tranquilo, com uma vista privilegiada do Vulcão Villarrica refletido nas águas do lago.
É uma boa escolha para quem quer fugir um pouco da multidão sem se afastar tanto do centro.
Baía La Poza
Um dos setores mais emblemáticos e queridos por quem mora em Pucón. É dali que partem boa parte das experiências náuticas no Lago Villarrica — passeios de barco, aluguel de equipamentos, aulas de esportes aquáticos.
Além do valor turístico, La Poza foi declarada Humedal Urbano Protegido, o que significa que tem também um papel importante na conservação da biodiversidade local.
É um bom lugar para terminar o dia: sente-se em algum dos bares à beira da água e observe o sol se pôr atrás do vulcão. Uma delícia!
Parque Nacional Huerquehue

Se você gosta de trekking, esse parque é imperdível. Fica a cerca de 35 km de Pucón e o principal atrativo é o Sendero Los Lagos, um circuito que passa por lagos e lagunas de origem andina em meio a florestas de araucárias milenares.
A trilha tem dificuldade moderada e pode ser adaptada conforme a disposição. No caminho, dá para avistar aves (com sorte, até condores nas partes mais altas).
Em alta temporada, chegue cedo: o estacionamento é limitado e as vagas costumam esgotar rápido.
Salto El Claro

Sabe os redutos de fadas que comentei lá no início do artigo? Esse lugar é um deles.
Uma cachoeira de aproximadamente 90 metros de altura, escondida em meio ao bosque nativo, a cerca de 8,5 km do centro de Pucón.
Ali existe tanto um mirador quanto a possibilidade de chegar aos pés da queda d’água para um banho refrescante (e gelado).
A entrada custa em torno de 3.000 pesos chilenos por adulto e o pagamento costuma ser só em dinheiro, então vale ir com pesos chilenos em espécie.
Um detalhe para não se confundir: existe também o Parque Salto del Claro, um espaço diferente com acesso pelo Camino Internacional próximo ao aeroporto. Se o seu destino é a cachoeira em si, essa cachoeira, o caminho certo é pela entrada de Los Calabozos.
Passeio noturno pelo centrinho
Depois de tantos passeios na natureza, reserve um tempo para caminhar sem pressa pelo centro de Pucón.
A Avenida O’Higgins é a artéria principal, cheia de lojas de artesanato local, enquanto a Rua Fresia concentra boa parte dos restaurantes mais gostosos da cidade.
No verão, esse trecho fica animado até tarde, com gente circulando, cafés lotados e aquele clima de cidade de férias.
Panguipulli: vale a pena um desvio

Se a sua agenda permitir, um dos lugares que eu mais recomendo conhecer perto de Pucón é Panguipulli, conhecida como a comuna dos Sete Lagos.
Fica a cerca de 1 hora de carro, já na Região de Los Ríos, e reúne uma quantidade impressionante de lagos, cachoeiras e centros termais numa área relativamente pequena. Simplesmente encantadora.
Se você tiver ao menos um dia de sobra, vale demais fazer esse desvio. Alguns dos destaques da região incluem:
Reserva Biológica de Huilo Huilo
A grande estrela da comuna, localizada próxima a Neltume. É uma reserva de mais de 60 mil hectares de floresta nativa.
Por ali há museu, teleférico e diversas trilhas de dificuldades variadas.
Só para explorar toda a Reserva já seriam necessários alguns dias, mas você pode aproveitar uma manhã ou tarde para escolher um dos trechos e ter um gostinho do atrativo. Compensa demais!
Neltume
Neltume é uma pequena vila cercada por montanhas e lagos que serve como porta de entrada para diversas atrações da região.
Foi ali que vi o lago mais lindo de toda a minha viagem. A água era tão cristalina que dava para enxergar absolutamente tudo que havia embaixo.
Sem dúvidas, não faltam respostas para o que fazer em Pucón no verão. A cidade e seus arredores nos presenteia com um show da natureza, em toda a sua grandiosidade e diversidade. E você, quais dessas pérolas vai incluir na sua aventura? Escolha sem moderação e boa viagem!
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