Se você mora no Rio de Janeiro (ou está de passagem) e ainda não conhece essa cidade, é hora de colocá-la no roteiro. E de descobrir o que fazer em Maricá.
Hoje, é difícil encontrar algum carioca que não tenha escutado o nome de Maricá, seja como destino de visitação ou de nova morada (existem muitas pessoas se mudando para lá).
Como conhecedora do lugar desde que tudo era mato (quase literalmente falando), posso dizer que esse pedacinho do Rio guarda boas surpresas. Lagoas que brilham à noite, praias no estilo selvagem, trilhas em meio à Mata Atlântica e um ritmo mais tranquilo são algumas coisas que fazem valer o passeio.
Neste guia, você confere onde fica a cidade, como chegar, qual a melhor época para visitar e o que fazer em Maricá, atração por atração. Confira!
Onde fica Maricá
Maricá é um município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que faz divisa com Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito e Saquarema.
A cidade fica a pouco menos de 60km do Rio, o que, na prática, coloca praticamente toda a sua costa a cerca de 1h30 de carro da capital fluminense. Essa é uma das razões que faz de Maricá um destino tão procurado para escapadas de fim de semana.

Como chegar a Maricá
De carro, saindo do Rio de Janeiro, o trajeto mais comum passa pela Ponte Rio-Niterói, seguindo por Niterói e pela Estrada Velha de Maricá (ou pela RJ-106, dependendo do bairro de destino dentro do município).
A viagem dura, em média, uma hora e meia. Mas cabe destacar que esse tempo pode se estender em horários de maior movimento no trânsito e em épocas de feriadão.
De ônibus, existem linhas executivas que saem diretamente de terminais do Rio (como o Terminal João Goulart) e o trajeto costuma levar entre 1h30 e 2 horas. Também é possível encontrar transporte público partindo de Niterói.
Como se locomover em Maricá
Dentro da cidade, a locomoção entre praias e bairros costuma ser mais prática de carro, já que a área urbana do município é bem extensa. Estar com veículo permite deslocamentos mais rápidos.
Vale lembrar que por ali o Uber funciona normalmente.
Por outro lado, se você não se importar com percursos mais longos, pode apostar sem medo nos famosos vermelhinhos. Eles são os ônibus da cidade, que alcançam todo o local, e o melhor: são totalmente gratuitos.

Melhor época para visitar Maricá
Assim como o restante do litoral fluminense, Maricá tem clima tropical, com verões quentes e mais chuvosos (dezembro a março) e invernos mais secos e amenos (junho a agosto).
Se o seu foco é curtir praia, o verão é a estação mais procurada, ainda que também seja a de maior movimento, principalmente aos finais de semana e feriados.
Já se o seu interesse está nas trilhas, como a da Pedra do Elefante, o inverno costuma ser mais confortável para caminhar, com temperaturas mais amenas e menor risco de chuva durante o percurso.
O que fazer em Maricá
Maricá guarda tesouros escondidos e algumas características importantes de conhecer antes da visita. Isso, na certa, consegue tornar sua viagem mais especial, segura e divertida.
Pedra do Elefante

Também conhecida como Alto Mourão, a Pedra do Elefante é a trilha mais famosa de Maricá (e também uma das mais desafiadoras). Ela fica dentro do Parque Estadual da Serra da Tiririca, bem na divisa com Niterói, e proporciona uma vista ímpar de ambas as cidades.
O percurso tem entre 1,5 e 2 km de extensão e leva de 1h30 a 2 horas, dependendo do ritmo do grupo. O nível de dificuldade é considerado de moderado a pesado, com direito a um trecho final de “escalaminhada” (subida usando as mãos para se apoiar nas pedras) para chegar ao topo.
A aventura é recomendada para trilheiros experientes por possuir trechos mais perigosos. Antes de ir, é sempre importante ler avaliações e experiências de quem já passou por lá para saber os melhores cuidados a se tomar.
Cachoeira do Espraiado
Para quem busca um passeio mais tranquilo, a Cachoeira do Espraiado é ótima pedida. Água gelada, ideal para um banho refrescante, e proximidade com a natureza formam uma bela combinação.
No entorno, há um pequeno bar que serve petiscos e bebidas, ou seja, dá para passar a manhã ou tarde curtindo a queda d’água e depois relaxar na sombrinha com seu quitute preferido.
Para aproveitar melhor tudo que a atração tem a oferecer, a maior dica é: se puder, vá durante a semana. Aos fins de semana e feriados, principalmente no verão, o lugar pode estar um pouco caótico por ser relativamente pequeno e muito visitado.
Gruta da Sacristia

Minha atração favorita em Maricá.
A Gruta da Sacristia é uma formação rochosa esculpida ao longo de bilhões de anos pela ação da erosão e do mar. O ponto mais famoso do local é chamado “Pedra da Sacristia”, de onde é possível tirar fotos com a sensação de estar suspenso sobre o oceano. A vista é linda demais!
O local tem fácil acesso. De carro, você pode colocar o nome da gruta no GPS e seguir o caminho sem problemas.
Chegando na entrada, será preciso, ainda, percorrer uma pequena descida até a gruta caminhando por pedras. Cuidado no caminho, apesar de curtinho, o trajeto pode ser escorregadio.

Farol de Ponta Negra

Bem próximo à Gruta da Sacristia está o Farol de Ponta Negra, outro ponto que reúne beleza natural e valor geológico. O farol em si não é tão imponente, mas a vista de lá de cima é incrível, principalmente durante o pôr do sol.
Logo abaixo, em área acessada por trilha, fica uma gruta submersa de cerca de cinco metros de profundidade, com águas claras, temperatura amena e vida marinha visível.
A dica para quem vai de carro é usar o GPS sem medo, já que a sinalização até o local ainda é escassa. Se for de ônibus, dá para parar no ponto final de Ponta Negra e caminhar pelo restante do trajeto.
Museu Casa Darcy Ribeiro
Não há só belezas naturais na lista de o que fazer em Maricá. A cidade também reserva surpresas para quem curte história e cultura.
O Museu Casa Darcy Ribeiro é um dos equipamentos culturais mais interessantes do destino. O espaço foi montado na antiga casa de veraneio do antropólogo, sociólogo e escritor Darcy Ribeiro, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, de frente para a Praia de Cordeirinho.
Foi ali que ele escreveu parte importante de suas obras, incluindo trechos do clássico “O Povo Brasileiro”.
A museografia do espaço aposta em uma experiência imersiva e interativa: o museu conta com duas salas de cinema, sala de vídeo, sala de espelhos infinitos, estúdio de podcast de uso público e até sala de karaokê.
Também estão em exposição objetos pessoais do antropólogo, como sua escrivaninha e o fardão da Academia Brasileira de Letras.
Matriz de Nossa Senhora do Amparo

A Matriz de Nossa Senhora do Amparo é o principal marco arquitetônico e religioso do município. Sua construção começou em 1788 e só foi finalizada em 1802, misturando elementos barrocos e neoclássicos em sua fachada.
Um detalhe curioso: a igreja foi erguida sobre uma elevação artificial de cerca de 3 metros de altura, justamente para se proteger das cheias das lagoas e rios da região. O entorno da Matriz teve seu tombamento provisório reconhecido pelo INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) em 1985.
Vale reservar um tempo para caminhar pelo Centro de Maricá antes ou depois da visita.
Casa de Cultura
Para quem quer se aprofundar um pouco mais na história e nas manifestações artísticas locais, a Casa de Cultura de Maricá é outra parada obrigatória.
O lugar funciona como museu, mantendo exposições permanentes e provisórias, eventos, apresentações culturais e tudo mais. Dentro de um casarão do século XIX, a proposta ali é mergulhar na trajetória da cidade e de seus moradores ao longo dos anos.
A entrada é gratuita.
Praias de Maricá

Maricá tem um dos litorais mais extensos da Região Metropolitana do Rio e suas praias mais conhecidas são a Praia de Itaipuaçu, a Praia da Barra de Maricá, a Praia de Ponta Negra e a Praia de Cordeirinho.
Todas elas têm uma característica em comum, que é essencial saber antes de ir: são praias de mar aberto, com ondas fortes e correntes que podem ser perigosas. Por isso, são mais indicadas para contemplação, caminhadas e banho de sol do que propriamente para banho de mar.
Por favor, não subestime essa dica e tenha muita atenção antes de querer entrar no mar. Só faça isso se for um dia muito atípico, de águas calminhas (o que quase nunca acontece). Sempre respeite também as bandeiras de segurança, quando houver.
As Praias de Itaipuaçu e de Ponta Negra são as mais extensas, têm areia fofa, orla revitalizada e ótima estrutura para caminhadas e ciclismo. Elas são também as mais movimentadas da cidade (apesar de não estarem próximas uma da outra, cada uma está em uma ponta do município).
A Praia da Barra de Maricá conta com boa infraestrutura turística se comparada a outras opções e é de fácil acesso a partir do centro da cidade.
A Praia de Cordeirinho, por sua vez, é a minha favorita. Ela é a que mais mantém aquela pegada de praia selvagem e nunca está muito cheia. Perfeita para sentar, pensar na vida, ou ler um livro enquanto sente o ventinho no rosto.
Lagoas de Maricá

Um dos grandes diferenciais de Maricá é que a cidade possui, além de praias, bucólicas lagoas para serem conhecidas.
A Lagoa de Araçatiba, por exemplo, tem uma orla bonita e tranquila, decks que rendem fotos bacanas, e um bom complexo de restaurantes pelo seu entorno.
Já a Lagoa de Jacaroá guarda um fenômeno natural que tem viralizado nas redes sociais: em algumas épocas do ano, à noite, suas águas exibem bioluminescência, um brilho azul intenso causado por microalgas que reagem ao movimento da água.
Já pensou estar lá e ter a sorte de contemplar essa lindeza? Segundo especialistas, o aumento de sal na lagoa, ocasionado por drenagens em canais que a ligam ao mar, é o que pode estar fazendo com que esse fenômeno se torne mais frequente por lá.
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E aí, saber o que fazer em Maricá conseguiu colocar a cidade nos seus planos? Se sim, espero que o destino consiga te surpreender positivamente. Ele costuma fazer isso, viu? Boa viagem!
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